Campo do Sinhá é referência de luta, esporte e lazer na quebrada

Espaço de futebol aos fins de semana, transforma-se no parque de diversões para crianças e guarda histórias de luta e transformação da comunidade

Por Wallace Morais/Eduardo Bernardo

Principal ponto de referência para os visitantes da comunidade, o espaço utilizado hoje para receber partidas de futebol aos fins de semana é uma das únicas áreas de lazer para crianças, adolescentes e jovens. Nos demais dias tem tido a serventia de estacionamento para os automóveis dos moradores da região.

Localizado na Rua Henry Fuseli, que é via de acesso entre o Jardim Grimaldi e a Estrada da Barreira Grande, o espaço é administrado por moradores que datam sua chegada nos anos 70 através de ocupações. Os primeiros moradores do Jardim Dona Sinhá chegaram para ocupar uma área de chácara que estava em desuso com moradias rústicas, a grande maioria de madeira.

Os primeiros habitantes encontraram uma dura realidade, cercada pela falta de saneamento básico, violência e outros diversos desafios. Dona Carmen, moradora da região a cerca de 50 anos, relata os desafios que enfrentou em sua chegada para morar no espaço que viria a ser cercado pelo Campo de Futebol do Jardim Dona Sinhá. “Aqui era tudo mato, tinha até cobra por aqui, que sempre invadia nosso barraco. Não tinha ônibus, então eu tinha que sair cedinho pra ir a pé até o Grimaldi para trabalhar.”, relembra Dona Carmen.

Dona Carmen enfrentou grandes desafios e vê hoje a comunidade com vida. / Wallace Morais

Com o crescimento da população, a comunidade foi sofrendo uma transformação, fruto da ação dos novos moradores. Dona Domingas, proprietária de um estabelecimento na beirada do campo, recorda as mudanças que o espaço sofreu através do tempo. “Hoje isso aqui é o paraíso! As crianças brincam, jogam, se divertem. Falta muita coisa ainda, mas não me vejo morando em outro lugar, aqui é minha casa.”, diz Domingas.

Para o senhor Josevaldo Martins, o Jose, o campo é um espaço comunitário de encontro das manifestações culturais do Sinhá. “Aqui ocorrem shows, campeonatos de futebol, encenações religiosas. O campo é um lugar em que a comunidade se encontra e partilha o que tem de melhor”, disse Jose.

Terezinha, religiosa que vive no Jardim Sinhá há 40 anos e ao lado das demais irmãs locais foram pioneiras de trabalhos sociais na região. Para a irmã Terezinha, este espaço é sobretudo lugar de transformação e fraternidade. “No começo dos nossos trabalhos, utilizávamos o campo para reforço escolar e para celebrações. Foi ali que criamos o Centro Educacional Comunitário. Hoje, é espaço de encontro e fraternidade da população de todo o Jardim Sinhá”, finaliza a irmã.

O campo, embora tantas vezes criminalizado, é um local que abriga uma importante parte da história do Jardim Dona Sinhá passando por lutas, transformações, resistência e comunhão dos moradores que utilizam de diferentes formas um dos únicos espaços para lazer na comunidade.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *