Prevenção, desinformação e desigualdades são desafios da periferia no combate ao novo Coronavírus

Com o avanço do Covid19, o novo corona vírus, a periferia precisa se preparar para enfrentar um inimigo que escancara desigualdades históricas e abre um futuro de insegurança para população em situação vulnerável

Por Wallace Morais

Periferia lida com desigualdade e descaso público no enfrentamento do corona vírus/ Foto: Wallace Morais

Desde o início do ano o mundo enfrenta um pandemia do vírus Covid19, o novo corona vírus, que infecta milhares de pessoas no planeta e está causando uma série de ações do poder público para conter seu crescimento. No Brasil, o governo federal, omisso até os primeiros casos surgirem, cria estratégias de contenção do vírus e proteção da população, em especial o grupo de risco de contágio – idosos e pessoas com doenças crônicas como diabete e bronquite – além iniciar ações de isolamento social.
Ações de prevenção são adotadas apenas em alguns espaços, a divulgação de informações ainda é desencontrada e população ainda não assimilou os riscos que o contágio em grande escala pode causar em nossa cidade. O receio do impacto do novo vírus atingem direto uma parcela da população, que sofre com ofertas de proteção social desiguais: as periferias e favelas.
As periferias podem ser um reduto de proliferação do novo corona vírus, visto que trabalhadores continuam a exercer suas atividades em empresas, que em muitos casos, não adotam medidas de prevenção. A população de grupo de risco periférica, que já sofre com a falta de estrutura e oferta na saúde pública, enfrenta agora a perspectiva da falta de leitos nos hospitais e a aglomeração de moradias nas regiões periféricas, que inviabilizam um isolamento social adequado. Isso sem considerar os problemas sociais já existentes em nossas periferias, como a falta de saneamento básico, cobertura e distribuição de água potável, o acumulo de lixo nas vias públicas, entre outros desafios de nosso cotidiano.

Como medidas de enfrentamento, a periferia deve mobilizar-se para ações individuais e coletivas. Visto o grande número de informações desencontradas e notícias falsas sobre do que se trata o Covid19, métodos de prevenção e até receitas que eliminam o vírus – que ainda não possui medicamento específico ou cura -, seguir as instruções de prevenção dos órgãos públicos é uma atividade de solidariedade que pode conter a contaminação e disseminação do vírus, principalmente em nossas comunidades. Orientações do que se trata o vírus e da higienização das mãos foram divulgadas pela Secretária Municipal da Saúde de São Paulo.

 

“O que é? 

O coronavírus (CoV) faz parte de uma grande família viral que causa infecções respiratórias em seres humanos e em animais.

Sintomas
-Febre
-Sintomas respiratórios: tosse e dificuldade para respirar
Se você tiver estes sintomas, procure atendimento médico.
– Histórico de viagem internacional (14 dias antes do início de dos sintomas) ou contato com caso suspeito para coronavírus.
Orientações

-Cubra sua tosse
-Utilize lenços descartáveis e jogue-os no lixo após o uso
-Cubra sempre o nariz e a boca ao tossir os espirrar
-Lave as mãos frequentemente com água e sabão
-Evite aglomerações ou locais pouco arejados
-Evite tocar olhos, nariz e boca.
-Não compartilhe objetos de uso pessoal.”

Fonte: Secretaria Municipal da Saúde/Município de São Paulo

Imagem: Secretaria Municipal de Saúde/ Município de São Paulo

O atendimento aos casos suspeitos também é um desafio para a população mais vulnerável, que já encontra a superlotação dos equipamentos de saúde pública no decorrer do ano e agora enfrenta a falta de leitos e estrutura para o diagnóstico de contaminação.

A preservação da saúde surge como talvez única alternativa para sobrevivência, contando com descaso e ações do poder público que não asseguram e impactam o povo periférico. Cuidar-se é e será um ato de resistência. Informar-se e informar de forma correta familiares, amigos e moradores de nossas comunidades; respeitar as orientações médicas; combater notícias falsas e boatos que circulam pela internet; sensibilizar pessoas em nosso entorno que pertence a grupos de risco; sensibilizar pessoas que podem se tornar portadoras do vírus; isolar-se ou criar estratégias para evitar aglomerações; são atos que poderão neste momento salvar vidas periféricas.

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