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Postado por Peterson Prates | JD. SINHÁ
04/06/2021

Mulheres empreendedoras: O tabuleiro da zona Leste

Dupla Jana e Gerlaide recorreu aos antepassados para empreender durante pandemia e espalhar a cultura do axé pelo Jardim São José
Os baianos e os fãs da cozinha afro-brasileira que vivem na zona Leste já sabem como se deliciar com uma das mais populares especialidades da cultura nacional. Sem sair de casa, é possível receber uma mega barca de acarajé fresca e quentinha para uma experiência para lá de arretada.

Com raiz nos terreiros de Candomblé, o acarajé se tornou meio de sobrevivência para muitas famílias de santo. Além do seu significado e importância dentro das obrigações religiosas para as filhas de Oyá, o potencial comercial do prato, que antes possibilitava às mulheres escravizadas a compra da alforria, hoje entrega independência financeira a tantas outras.

A professora de geografia Jana Souza, de 33 anos, sabe bem de tudo isso. Com o desemprego e o avanço da crise potencializada pela pandemia do coronavírus, ela uniu forças com a cunhada Gerlaide Silva de Azevedo, 28 anos, recorreu aos antepassados e investiu todo o seu FGTS na Akara Refeições, um negócio que une identidade religiosa e preservação cultural.
“A gente pegou o sabor do terreiro, da ancestralidade e aproveitou a oportunidade de crescer financeiramente”, conta Jana ao falar do mais novo serviço delivery de acarajé do Jardim São José, na zona Leste, em funcionamento desde julho de 2020. Gerlaide também fala com alegria que as duas aprenderam tudo no terreiro de candomblé e que a culinária é um dos elementos da cultura do axé.

É possível escolher a opção no prato ou na barca, que, além dos tradicionais bolinhos de acarajé, traz também porções caprichadas de abará, vatapá, caruru, vinagrete e muito camarão. Os tons alaranjados do prato são graças ao azeite de dendê, óleo essencial na culinária baiana, fruto de uma palmeira de origem africana.

O abará, bolinho amarelo similar a uma pamonha, usa a mesma massa de feijão fradinho do acarajé embrulhada na folha da bananeira e cozida no vapor, em vez de frita no dendê. O caruru é a quiabada mais famosa das festas de Cosme e Damião e o vatapá é uma massa que leva amendoim, castanha de caju, gengibre e pimenta. Acompanhamentos sagrados da culinária candomblecista, a verdadeira experiência do acarajé baiano acontece com a junção do bolinho recheado com todos esses elementos.

A disposição dos alimentos na barca possibilita que cada um da família monte seu próprio acarajé. A pimenta, que vem à parte, dá o toque especial, fazendo da refeição um prato ainda mais “quente”, como dizem na Bahia.
Como se a boa comida não bastasse, as criadoras da Akara valorizam o afeto e tratam com carinho a clientela, mandando em cada entrega uma mensagem de boas-vindas à experiência oferecida. Jana e Gerlaide afirmam que o novo empreendimento não veio para teste, mas sim para ficar e mostrar a potência da gastronomia e cultura no território.

Mais que um prato típico das regiões mais negras do país, o acarajé continua sendo sinal de resistência e protagonismo das mulheres pretas pelo Brasil. Para quem só conhece o “tabuleiro da baiana” pelas canções de Dorival Caymmi, a Akara Refeições é a oportunidade de experimentar a energia, o sabor e a cultura de um prato que é um misto de memória, afeto, religiosidade e identidade ancestral.

Serviço

Akara Refeições
Endereço: Rua Ana Santesso, 117, Jardim São José
Telefone: (11) 97130-1740 (WhatsApp)
Preço médio: R$15 a R$30
Horário de funcionamento: quarta a domingo, das 15h às 22h
Formas de pagamento: cartões de débito e crédito
Redes sociais: Instagram: @akararefeicoes | Facebook: https://www.facebook.com/Akararefeicoes
Observações para encomendas: pedidos pelo WhatsApp, redes sociais ou aplicativos. Retirada no local e entregas em um raio de até 7km.
Aplicativos: iFood e Uber Eats

* Texto publicado pelo projeto Prato Firmeza Preto
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