4 de maio de 2020

#Covid19NasFavelas: Relatos de um profissional de saúde revela retrato de um hospital de periferia

Em depoimento, enfermeiro descreve situação de hospital em meio a pandemia de Corona vírus
Enfrentamos uma onda de notícias que nos descrevem, por um lado, hospitais superlotados, com leitos quase totalmente ocupados por pacientes de diversas enfermidades, e agora, pelo novo coronavírus. Por outro lado, relatos de hospitais vazios, com um quadro diferente do que a mídia reporta em seus jornais.

Com isso, a população vive a incerteza de qual a realidade de postos de saúde e hospitais neste momento de pandemia. Sabemos que normalmente os equipamentos de saúde são locais lotados, com estrutura precária e com falta de profissionais para o atendimento, em especial nas regiões periféricas. Como então estariam hospitais periféricos no enfrentamento do Covid19? A equipe do Vozes no Jardim Sinhá ouviu o relato de um profissional de saúde, que iremos nos referir como A.L. – o mesmo solicitou a não divulgação de sua identidade -, trabalhador de um hospital que atende a população da região.

A.L. nos contou como é a rotina no ambiente hospitalar, a ocupação dos leitos, como acontece o atendimento de infectados pelo novo coronavírus.
Em afastamento devido à suspeita de estar infectado pelo vírus, A.L. descreveu como um hospital da periferia da Zona Leste vem enfrentando a pandemia.

"Meu último plantão foi no dia 25, um sábado, pois estou com sintomas de Covid19 e estou afastado do trabalho. Lá, no hospital, não estava muito lotado, por que as pessoas com sintomas mais leves e controlados estão sendo encaminhadas para a Tenda do Anhembi." nos contou A.L. sobre os atendimentos de pacientes com sintomas e suspeita de infecção do novo corona vírus.
O profissional da saúde relata a dificuldade de realização de teste e a respostas aos exames. "Nem os hospitais estão tendo respostas dos exames. Os casos que foram controlados foram pra casa por que não eram tão graves a ponto de internação."
"O hospital segue fazendo o que é recomendado pela Secretaria de Saúde, atendendo o que pode e encaminhando para os hospitais maiores e com vagas. Lá não tem UTI, os pacientes graves estão ocupando a emergência, mas com outras enfermidades, que ainda possuem leitos vagos. Porém, a internação adulta está lotada e a observação geral também toda ocupada." reitera.
"Os casos mais graves são encaminhados para outros hospitais com UTI e referência em tratamento de Covid19, o hospital aqui não suporta." explica A.L., contando que os casos mais graves de Covid19 são encaminhados para outros hospitais da região central, pois, o equipamento da periferia não possui estrutura para atender pacientes com esta patologia.

Como este relato, outros profissionais da área da saúde e usuário descrevem uma realidade a muito tempo vivida pela população de periferia. Superlotação e falta de estrutura essencial para o tratamento de doenças sempre afetaram a população pobre e com o coronavírus não é diferente.

Os cuidados para prevenção e o isolamento social são necessários para evitar um colapso de hospitais nas periferias, que irão ocasionar em uma tragédia pré existente na vida da periferia.
Compartilhe nosso conteúdo!
notícias relacionadas
Mikaelly, 16 anos
Mikaelly, 16 anos, é aluna de qualificação do Vozes das Periferias. Em 2019, se formou no curso de Arquitetura e foi convidada, junto com outros 3 colegas de classe, a criar o projeto de reforma do nosso escritório. O espaço passou por uma grande mudança e hoje conseguimos utilizar muito melhor nossas salas.A jovem também realizou outros cursos da área de tecnologia e comunicação, e seu crescimento está sendo muito maior do que o esperado."O Vozes é uma escada para as realizações do meu sonho. Lá eu aprendi que para você vencer tem que ter, acima de tudo, garra".Mika também é voluntária de operações gerais e nos auxilia em nossas atividades de esporte, cultura e qualificação profissional. Sem dúvidas, essa jovem sonhadora ainda vai conquistar o mundo.
Luiz Alberto, 20 anos
Luiz foi aluno do curso de Gestão de Projetos, em parceria com a Comparex, em 2018. A dedicação do jovem durante as aulas o fez estar entre os melhores, concorrendo por uma vaga de emprego na empresa apoiadora."Participar deste curso foi um divisor de águas em minha vida profissional e pessoal, porque lá eu e meus colegas aprendemos muito mais do que as práticas de gestão de projetos, nós aprendemos valores que levaremos para a vida como o #TamoJunto e o #VaiKida".Hoje, Luiz trabalha na SoftwareONE, antiga Comparex, onde cresce a cada dia junto com profissionais qualificados e trilha a sua carreira. Sem dúvidas, essa oportunidade mudou a vida do jovem e abriu diversas portas, transformando sua história e a de sua família.
Kelvin, 8 anos, e Kelveson, 11
Os irmãos Kelvin, 8 anos, e Kelveson, 11, são alunos da oficina de Dança de Rua do Vozes das Periferias e dão um show de talentos.Os b-boys fazem da arte a força para superar qualquer dificuldade e só abaixam a cabeça se for um passo da dança. Eles se dedicam a aprender e a serem melhores a cada dia, desde o hip hip até o passinho do funk. Os meninos ainda se apresentam em locais como a Av. Paulista e estações do metrô, mostrando que a favela é potência e cultura de rua pode chegar onde quiser.
Kayrone, 15 anos
Kayrone, 15 anos, é aluna da oficina de Jiu Jitsu do Vozes das Periferias e voluntária do projeto auxiliando os mais novos durante a aula. Desde o início se mostrou muito interessada e pró-ativa, querendo aprender sempre mais. A princípio seu objetivo era usar o esporte como uma forma de autodefesa, já que os casos de violência contra mulher estão cada vez maiores. Mas com o tempo foi se encantando e trazendo o Jiu Jitsu para vida."O que eu mais gosto no jiu é que independente da sua faixa ou tempo de treino todos se ajudam e crescem juntos".Hoje, Kayrone treina na Academia Nova União SP Mooca, onde ganhou uma bolsa graças a ponta feita pelo atleta e professor Erick Silva.Sua força e garra representa a classe feminina das favelas. Voe alto!