Postado por Jana Souza | JD. SINHÁ
14/07/2021

Impactos da pandemia na vida da população periférica

O vírus da covid-19 agravou as condições precárias de quem vive em periferia e aumentou o desafio de quem combate a desigualdade nas favelas
Sobreviver tem sido o maior desafio da população e ser resiliente a tudo que está acontecendo não tem sido tarefa fácil. Os dias são longos e as vezes não há solução, pois ficamos com as mãos atadas diante de tantos “eitas”. Um dos problemas que tem potencializado tudo isso foi a pandemia, principalmente para quem mora na periferia com poucos recursos.

Na maioria das vezes, é necessário deixar de lado alguns medos e tentar seguir a rotina diária com alguns obstáculos, ainda que difíceis e até insuportáveis, porque resistir e insistir precisa se tornar meta de vida. As condições que a periferia enfrenta é ainda mais “caótica”. Exemplo: para se locomover, manter o distanciamento social, enfrentar horas de trânsitos em ônibus lotados, correr riscos e mais riscos… Sim, é necessário, porque é preciso comer, vestir e sobreviver: há urgência e pressa por uma solução!
FOTO: WALLACE MORAES
Com a morosidade da vacina e falta de consciência das pessoas, a única certeza é o enfrentamento da contaminação e torcer para não se tornar estatística. Vale ressaltar que não precisa ir muito longe para entender o temor e desafio de quem vive em favelas e periferias. Não se resume em correr risco, o desafio é sobreviver. A falta de estrutura na comunidade é assustadora: saneamento péssimo, saúde defasada, famílias entregues ao vento.

O ex-ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, declarou durante seu depoimento na CPI da Covid a ideia de que “as pessoas vão contrair isso [a doença] porque moram em favelas, porque estão aglomeradas, porque não têm esgoto”, e sustentou as teorias de imunidade de rebanho que orientou a ação do governo federal. Em maio de 2020, o ex-prefeito de São Paulo, Bruno Covas, declarou que as comunidades eram as mais afetadas, e as que mais precisavam de apoio da prefeitura. E como, de fato, ficamos? São tantas promessas e declarações insustentáveis, que voltar a acreditar no melhor e ter esperança, também se tornou desafio diante do cenário atual. O que queremos é voltar a sonhar, realizar e ser feliz. Sobreviver é nosso direito e reivindicamos isso!

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